sábado, 12 de agosto de 2017

Envio de E-mails | Red Cross and Bullfighting / Cruz Vermelha e Touradas



⚠️👉 ATENÇÃO =

Está a ser anunciada uma tourada a favor da Cruz Vermelha de Safara e Sobral da Adiça!
Por favor, partilhe esta publicação e envie, por e-mail, de uma só vez, com texto em inglês e em português (colocando o seu nome no final de cada uma das versões), a mensagem abaixo sugerida, ou outra, para os endereços indicados.
A bullfight is being advertised for 19th August in support of the Safara and Sobral da Adiça branch of the Red Cross. Please act now.
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EN | PT

Subject/Assunto: Red Cross and Bullfighting / Cruz Vermelha e Touradas
To/Para:
pmaurer@icrc.org, mgirodblanc@icrc.org, mliard@icrc.org, sede@cruzvermelha.org.pt, pimentaraujo@cruzvermelha.org.pt, cvpsafarasobral@gmail.com, marinhenses.antitouradas@gmail.com
[EN]
Dear All,
I am writing this e-mail on the issue of the association between the Portuguese Red Cross (PRC) and bullfighting.
Unfortunately, in Portugal bullfighting is still a common practice. In each of these sad events about six or seven bulls are humiliated and tortured almost to death (and often horses perish as well). Spears with barbs are thrusted forcefully into their backs, causing severe bleeding and internal damage. A very high level of physical and psychological pain is caused to the bulls. Hours later these innocent animals are then butchered, after a long period of painful agony.
Although it is still legal in some countries, bullfighting has become the target of huge and growing social protests. For ethical reasons, more and more organizations choose to distance themselves as much as possible from this cruel activity.
It is quite difficult to understand how a prestigious institution such as the Red Cross can be associated to such cruel activities practiced upon the animals. As a matter of fact, aside from the regular provision of ambulances and human means to eventually assist people actively involved in bullfighting, there are some branches of the Portuguese Red Cross who advertise, sell tickets for and/or accept money from the bullfighting events – red blood-stained money from innocent animals. Presently a bullfight is being advertised for 19th August in support of the Safara and Sobral da Adiça branch of the Red Cross. (https://www.facebook.com/1654651968081940/photos/a.1656277011252769.1073741828.1654651968081940/1909836992563435/?type=3&theater).
The Portuguese Red Cross admits there are branches that receive money from bullfights but states they are not the organizers, and thus undervalues the regular protests, from members and sympathizers, it receives.
In face of what has been said I would like to appeal to the Red Cross to dissociate itself as much as possible from performances based on animal abuse, namely by not allowing its denomination/logo to be used in bullfighting posters; by not advertising bullfights; and by not accepting blood-tainted money from bullfights.
Thanking you in advance for the kind attention devoted to this letter, I look forward to your kind reply, which I hope will be a positive one.
Best regards,
(Name, city, country)
[PT]
Exmos./as. Srs./Sras.,
Escrevo-lhes a propósito da associação da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) à tauromaquia.
Infelizmente, em Portugal ainda se realizam touradas. Em cada uma delas, seis ou sete bovinos são humilhados e torturados quase até à morte (havendo também, frequentemente, cavalos que ficam feridos ou morrem). São-lhes cravados ferros que lhes provocam severas hemorragias. É-lhes provocado um elevado nível de sofrimento físico e psicológico. Horas depois, os inocentes animais são, na sua quase totalidade, abatidos, após um longo período de agonia.
Embora ainda legalmente permitida em alguns países, a tauromaquia tem vindo a ser alvo de uma enorme e crescente contestação social e, cada vez mais, a generalidade das organizações optam por se distanciar ao máximo desta cruel actvidade por razões de ordem ética.
É incompreensível que uma Instituição como a Cruz Vermelha se associe a estas práticas de crueldade sobre animais. Com efeito, além do frequente envio de ambulâncias e meios humanos para eventual socorro de pessoas envolvidas nos espectáculos tauromáquicos, há delegações da CVP que publicitam touradas, vendem bilhetes para touradas, e/ou aceitam dinheiro proveniente de touradas – dinheiro manchado de sangue de animais inocentes. De momento, está a ser anunciada, para 19 de Agosto, uma tourada a favor da Delegação da Cruz Vermelha de Safara e Sobral da Adiça (https://www.facebook.com/1654651968081940/photos/a.1656277011252769.1073741828.1654651968081940/1909836992563435/?type=3&theater).
A CVP reconhece que há delegações que recebem verbas provenientes de touradas, mas salienta que não é organizadora, e vai assim desvalorizando os protestos que, neste âmbito, lhe vão sendo dirigidos por sócios e simpatizantes.
Face ao exposto, apelo a V. Exas. para que a Cruz Vermelha se dissocie o mais possível de espectáculos de maus-tratos aos animais, nomeadamente não permitindo que a respectiva denominação/logótipo conste em cartazes de touradas, não publicitando touradas, nem recebendo verbas delas provenientes.
Agradecendo antecipadamente a atenção dispensada e ficando na expectativa de uma resposta a esta mensagem que espero que seja positiva,
Com os melhores cumprimentos,
(Nome, cidade, país)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

TVI Sem Touradas? – Pedido de Envio de E-mails

Foto de Marinhenses Anti-touradas.

Depois de cinco anos consecutivos sem emitir ou apoiar touradas, a TVI está, esta semana, a passar publicidade a uma, com a menção “apoio TVI”. Não há certezas sobre se a pretende ou não transmitir, mas tendo em conta insinuações em blogues tauromáquicos, é possível que sim.
Por favor, actue já, enviando a mensagem abaixo sugerida (ou outra que lhe pareça apropriada) e partilhando/divulgando este apelo.
______________________

MENSAGEM SUGERIDA:


Para: relacoes.publicas@tvi.pt, sec.administracao@mediacapital.pt, comunicacion@prisa.com

Cc: marinhenses.antitouradas@gmail.com

Exmos. Srs.,
Escrevo-lhes a propósito do apoio da TVI à “Corrida 125 Anos Campo Pequeno”, que se realizará no dia 18 de Agosto. Trata-se de algo que me causa uma enorme tristeza e perplexidade.
Quando, em 2013, a TVI deixou de emitir e apoiar touradas, acreditei que o tinha feito, pelo menos em parte, devido a apelos como o meu e os de outros/as telespectadores/as e, acima de tudo, por razões de ordem ética. Foi uma medida que me deixou muito feliz, que me fez criar um vínculo afectivo muito forte com essa estação de televisão e que me fez acreditar que passaríamos a caminhar “lado a lado” para um mundo melhor.
Quatro anos depois, surge um apoio da TVI a uma tourada, mencionado num spot publicitário que tem vindo a ser difundido esta semana. Não sei ao certo de que tipo de apoio se trata, mas não posso deixar de expressar a minha reprovação pelo mesmo. E embora queira muito acreditar que a referida tourada não será televisionada, temo que isso possa vir a acontecer.
Na expectativa de que a TVI perceba que ao associar-se à tauromaquia está a inquietar um número muito significativo de Portugueses e Portuguesas e a contribuir para um abrandamento do progresso moral da sociedade portuguesa, fica o meu apelo para que deixe, de uma vez por todas, de apoiar a tauromaquia, e para que não transmita a “Corrida 125 Anos Campo Pequeno”, que, além de toda a habitual crueldade que encerrará, assinala mais de um século de violência extrema contra animais.
Com os melhores cumprimentos,
(Nome)
(Localidade)

domingo, 6 de agosto de 2017

Garraiadas “de rua” – O Sofrimento dos Animais

Entre as várias actividades tauromáquicas que acontecem em Portugal, contam-se as garraiadas. Uma grande parte destas (académicas ou não) realiza-se em recintos improvisados e sem que se cravem ferros nos animais. Talvez por isso, seja tão comum as pessoas menos informadas pensarem que, quando assim é, estamos perante “uma brincadeira que se faz com os animais e que em nada os prejudica”. Será assim?

A maioria dos bovinos utilizados nas garraiadas que se realizam nos tais recintos improvisados e em que, habitualmente, não se cravam ferros, são muito jovens. Alguns são fêmeas que têm menos de 1 ano de idade, ou entre 1 a 2 anos. São seres algo frágeis, que ainda têm os seus corpos em formação, ficando assim muito sujeitos a sofrerem lesões, e que sentem seguramente mais medo perante o que são obrigados experimentar do que se já tivessem mais idade. (Nalgumas garraiadas deste tipo, também se utilizam, por vezes, machos de idade inferior a 3 anos.)

O sofrimento dos animais vítimas deste tipo de garraiadas está sempre presente na sua preparação para este tipo de eventos, no transporte de ida e volta e respectivos períodos de espera, e durante a garraiada. Ficam algumas notas:


1. Preparação/Embolação


O sofrimento começa na captura e “preparação” das vítimas para esta actividade tauromáquica com intervenções que as enfraquecem. Uma destas intervenções é a embolação, que consiste na anulação do poder de perfuração pelos cornos, através do corte das respectivas pontas e da aplicação de materiais de revestimento.


Embolada para a garraiada de 5/8/2017 nas Figueiras, Marinha Grande 

No caso das garraiadas “de rua”, a embolação tem como única finalidade reduzir a probabilidade de as pessoas que “brincam” com estes seres se magoarem. Ainda assim, talvez com o intuito de fazer com que as pessoas que participam se sintam bravas, é habitual que a organização enfatize que não se responsabiliza por danos físicos (podem ouvir-se este tipo de advertências no vídeo seguinte, efectuado na garraiada de 5/08/2017 nas Figueiras, Marinha Grande).


video


A embolação é um processo que causa, muitas vezes, lesões na coluna vertebral dos bovinos. Quanto mais jovens forem os animais, maior a probabilidade de isso acontecer. E é um processo de tal modo stressante que é natural que alguns indivíduos morram de ataque cardíaco durante o mesmo. Mas em que consiste afinal exactamente a embolação? Conferir aqui s.f.f: http://mgranti-touradas.blogspot.pt/2012/07/embolacao.html


2. Transporte de ida e espera nos contentores de transporte


O transporte dos chamados “garraios” é feito dentro de exíguos contentores. Sendo estes animais criados em grandes extensões de terreno, em ambientes pouco barulhentos e nos quais pouco interagem com pessoas, é fácil de perceber que o transporte cause claustrofobia, pânico, acentuada perda de peso (que chega a ser de 10% do peso inicial) e desgaste. 

Viagem de ida concluída, as vítimas das garraiadas que se realizam em recintos improvisados são ainda obrigadas a permanecer nas imediações dos mesmos, dentro dos contentores de transporte, durante horas, enquanto aguardam pela sua vez de servirem de brinquedo para alguns humanos. São horas em que mal se podem mover, passadas sob temperaturas como as que se registam nas tardes de Verão em Portugal. 

Não é raro que, durante estes períodos de espera, os animais sejam picados ou levem choques eléctricos com varas preparadas para o efeito. Um dos pretensos objectivos do recurso a este tipo de varas é acalmar os animais quando os mesmos se começam a mexer demasiado (imagine-se!). Paradoxalmente, as mesmas varas também são utilizados quando se pretende que os animais saiam dos contentores. 

Figueiras, Marinha Grande - 5/08/2017

3. A garraiada


O sofrimento prossegue no recinto improvisado com ludíbrio e maus-tratos infligidos às vítimas, que ficam assustadas, esgotadas anímica e fisicamente, e lesionadas (quando não até mesmo mortas). O nível de sofrimento depende de alguns factores, como o número de pessoas envolvidas e aquilo que fazem, que chega, nalguns casos, a incluir socos e pontapés.

Há garraiadas nas quais mais de uma dezena de pessoas se atira, em simultâneo, para cima dos animais, com todas as possíveis lesões daí decorrentes.




Há outros casos, em que aparece menos gente para “brincar” com os animais, o que não impede situações como eventual cegueira, resultante de uma simples pancada num olho. No vídeo que se segue, captado na garraiada de 5/08/2017 nas Figueiras, Marinha Grande, vê-se um dos dois únicos participantes humanos a subir um gradeamento e a dar um pontapé num dos animais que foram obrigados a participar. Não é difícil de perceber que tal pontapé quase atingiu um dos olhos da vítima.

video

Não é raro que se dêem fortes puxões na cauda dos jovens bovinos. E sendo a cauda composta por uma sequência de vértebras que se articulam umas com as outras e sendo também um prolongamento da coluna vertebral, tais puxões provocam muitas vezes luxação de vértebras, ruptura de ligamentos e de vasos sanguíneos, desconexões com o tronco e comprometimento da medula espinhal. 

Puxão de cauda numa garraiada nas Cortes, Leiria

É um facto que nas garraiadas, sendo ou não utilizadas farpas, se inflige sofrimento físico e psicológico gratuito aos jovens animais que pode até culminar na morte, como aconteceu, por exemplo, durante uma garraiada académica em Vila Real, em que uma bezerra morreu por quebra de pescoço.


4. O transporte dos animais vivos de volta


O sofrimento não deixa de estar presente na recolha, novo transporte, etc., havendo lesões que deixam marcas para o resto da vida.


5. “Garraios” como seres sencientes


É importante termos presente que os animais utilizados nas garraiadas são seres sencientes. Quer isto dizer que são seres que têm não só sensibilidade, como também consciência, tal como os animais ditos humanos. Com efeito, a moderna investigação em neurociência removeu quaisquer dúvidas que pudessem existir acerca da senciência de animais como as aves e os mamíferos (e.g. “bovinos de lide”), tal como é evidenciado pela “The Cambridge Declaration on Consciousness”, que foi assinada na Universidade de Cambridge em 2012 por um grupo proeminente de neurocientistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocientistas computacionais (vide s.f.f. http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf

Fará sentido desrespeitarmos os animais? Fará sentido o desrespeito chegar ao ponto de os obrigarmos a participar em actividades que visam apenas entreter-nos? Teremos todos/as a noção de que os animais que são obrigados a participar em garraiadas sentem dor, medo e ansiedade? Não haverá maneiras de entreter as pessoas sem prejudicar ninguém? Ficam estas questões para reflexão.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Artigo Jornal Região de Cister – Contestação à Tourada dos Bombeiros da Benedita

Os Bombeiros Voluntários da Benedita começaram a ter de lidar com a contestação à sua tourada anual. Não vamos ficar ficar por aqui! Tudo faremos para apoiar um grupo de cidadãs e cidadãos de Alcobaça que se está a organizar para mostrar aos BVB que os Alcobacences não querem ver o seu concelho manchado de sangue de animais inocentes. Ninguém quer! Avancemos!   



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Resposta dos Bombeiros Voluntários da Benedita - Organizadores de Tourada Prevista para 4 de Junho

No passado dia 20 de Maio, enviámos uma mensagem para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Benedita a pedir a esta Instituição que cancelasse a tourada que está a organizar para dia 4 de Junho e que se dissociasse da tauromaquia. 

Pedimos também aos nossos contactos que enviassem mensagens com a mesma pretensão (http://mgranti-touradas.blogspot.pt/2017/05/bombeiros-da-benedita-organizam.html).

Fica aqui (I) a resposta que recebemos do endereço de e-mail do Comado dos Bombeiros Voluntários da Benedita em nome da Direcção, bem como (II) a nossa mensagem que gerou esta resposta.

I - Resposta dos Bombeiros Voluntários da Benedita

(Data: 22 de maio de 2017 às 19:03)

Exmos. Srs.
No passado dia 22 de maio foi enviado um e-mail dirigido ao Presidente e Vice-Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários da Benedita, com conhecimento de um conjunto de entidades, onde se fazem um conjunto de acusações aos organizadores da XV Corrida Toiros a Portuguesa, que se irá realizar na Benedita no próximo dia 4 de Junho.
O referido e-mail é uma prática recorrente dos anti-taurinos e tece um conjunto de considerações sem adesão à realidade que, por tentarem condicionar uma iniciativa cultural com fins de beneficência, importa refutar.
1 –  A Corrida de Toiros da Benedita é realizada desde 2002 com grande sucesso, não se podendo assim considerar-se que não existe tradição taurina nesta localidade. Todos os anos, de norte a sul do país, realizam-se em média cerca de 25 festivais taurinos, que são festejos taurinos de beneficência e cujos lucros se destinam a apoiar as mais diversas instituições sociais, como os Bombeiros, associações de apoio a deficientes, associações infantis, entre muitas outras. A Corrida de Toiros da Benedita é um desses festejos taurinos com fins de beneficiência.
2 – É referido no e-mail que as corridas de toiros provocam danos mentais nas crianças. No entanto, há séculos que milhões de crianças portuguesas assistem a touradas sem que isso lhes cause qualquer tipo de problema. Em Portugal as touradas estão classificadas para maiores de 12 anos (é só um aconselhamento, pois qualquer criança com mais de 3 anos pode assistir a touradas acompanhada de um adulto) e, por exemplo, a Entidade de Reguladora da Comunicação Social, quando chamada a pronunciar-se sobre a assistência de menores a touradas na RTP, referiu precisamente que estas não eram suscetíveis de influir negativamente nas crianças e adolescentes. Não existe nenhuma prova científica que fundamente esta afirmação, que chegou a ser repetida pelo Comité dos Direitos das Crianças da ONU, sem apresentar nenhuma prova. Pelo contrário, o único estudo científico realizado por uma entidade estatal e independente, sobre as crianças e as touradas, a Comissão de Proteção de Menores da Comunidade de Madrid, concluiu que "não existe nenhum fundamento científico para afirmar que a assistência de menores a touradas tenha impacto negativo na sua personalidade e bem-estar."
3 – Ao contrário do que é referido no e-mail, as bandarilhas não são arrancadas à força do dorso do toiro. Depois da lide, o animal regressa aos curros onde descansa e bebe água. É tratado e as bandarilhas são retiradas através de procedimento médico-veterinário, pelo veterinário ou sob a sua supervisão. De seguida, o touro segue para o matadouro onde é abatido num prazo máximo de cinco horas ou regressa ao campo para ser semental, vivendo o resto dos seus dias em liberdade e procriando.
Face ao exposto, a direção dos Bombeiros Voluntários da Benedita não encontra nenhuma razão que justifique o fim da Corrida de Toiros nesta localidade. Pelo contrário, tem sido demonstrado desde 2002 que esta iniciativa cultural é acarinhada pela população local que adere com entusiasmo à mesma. Tal compreende-se não apenas pela identificação cultural com a tauromaquia como também pela carácter de beneficência associado à iniciativa.
Com os melhores cumprimentos,
A Direção

___________

II - Mensagem enviada por nós para todos os destinatários indicados

(Data: 20 de maio de 2017 às 22:24)

Assunto: Início de Acção - Por favor, não sejam cúmplices da tortura de animais


Excelentíssimos Senhores Presidente e Vice-Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários da Benedita,
Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça,
Excelentíssimo Senhor Presidente da Junta de Freguesia da Benedita,
Excelentíssimos Senhores Patrocinadores (de anteriores touradas na Benedita),

Tomámos conhecimento de que está a ser anunciada uma tourada para decorrer, no dia 4 de Junho, na Benedita, com organização a cargo dos Bombeiros Voluntários locais (https://www.facebook.com/touradabenedita/photos/rpp.139077916270990/765920276920081/?type=3&theater).

A indústria tauromáquica, em desespero perante factos como o acentuado decréscimo do número anual de touradas e espectadores (https://www.rtp.pt/noticias/pais/touradas-em-portugal-continuam-a-perder-espetadores_a982041), tem feito de tudo para conseguir entrar em localidades onde a tradição não existe, como é o caso da Benedita (onde apenas se começaram a realizar espectáculos tauromáquicos em 2002), valendo-se da existência de praças de touros ambulantes ainda que estas ponham em causa a segurança do público (http://farpasblogue.blogspot.pt/2014/04/panico-esta-tarde-em-tourada-em-samora.htmlhttp://www.radiocampanario.com/ultimas/regional/queda-de-bancada-de-praca-de-touros-na-orada-borba-provoca-tres-feridos-c-somhttp://www.laopiniondemurcia.es/municipios/2011/06/10/muere-nino-14-meses-plaza-toros-portatil/329423.html). Na tentativa de tornar a tauromaquia menos intolerável para as populações, esta mesma indústria recorre a manobras como a “beneficência”. Não é, pois, de estranhar, não só o interesse pela vila da Benedita, como a instrumentalização da respectiva Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários (BVB).

Perguntando-nos por que motivo a bondade dos BVB não se vai estender aos cavalos e aos touros obrigados a participar no espectáculo em questão, nem mesmo às muitas e muitas pessoas que o mesmo deixará consternadas, concluímos que talvez seja por falta de noção do sofrimento que, na realidade, está contido nas touradas. Neste contexto, pedimos ao Sr. Presidente da Direcção dos BVB, bem como ao Sr. Vice Presidente da Direcção, o favor de lerem (e transmitirem também aos demais membros organizacionais) o que se segue. Alargamos o mesmo pedido aos restantes destinatários desta mensagem.

1. A moderna investigação em neurociência removeu quaisquer dúvidas que pudessem existir acerca da senciência de animais como as aves e os mamíferos (e.g. touro, cavalo), tal como é evidenciado pela “The Cambridge Declaration on Consciousness”, que foi assinada na Universidade de Cambridge em 2012 por um grupo proeminente de neurocientistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocientistas computacionais (vide s.f.f. http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf). Quer isto dizer que animais como os "touros de lide" e os "cavalos de toureio" são seres que têm não só sensibilidade, como também consciência, tal como os animais ditos humanos;

2. A tauromaquia é uma actividade que implica violência extrema contra animais sencientes indefesos. Os cavalos sofrem física e psicologicamente. Os touros, totalmente desrespeitados, sofrem ainda mais e por um período de tempo mais alargado. Em termos muito gerais, e começando pelo período que se inicia algumas horas antes do espectáculo em si, estes bovídeos começam a sofrer e a ficar debilitados durante a fase de preparação para as corridas à portuguesa – seja, por exemplo, durante o transporte ganadaria-praça em que o stress os faz perder cerca de 10% do seu peso, seja na preparação dos seus cornos (vide s.f.f. http://mgranti-touradas.blogspot.pt/search?q=embola%C3%A7%C3%A3o). Na arena, não faltam sinais de medo, confusão, stress, exaustão, dor e muito sofrimento, sinais estes que, por desconhecimento, nem sempre são identificados (vide s.f.f. http://mgranti-touradas.blogspot.com/2012/03/corridas-portuguesa-sinais-de.html). Já fora do alcance da vista do público, os ferros/bandarilhas são arrancados à força do dorso das vítimas, o que lhes provoca extensas feridas e um sofrimento-atroz marcado por ensurdecedores berros de dor. Por fim, na quase totalidade dos casos, resta a estas pobres vítimas aguardarem, em tremenda agonia, pelo abate em matadouro;

3. Perante o exposto no ponto 1 em articulação com explicado no ponto 2, é inequívoco concluir que actividades como a tauromaquia são, em termos do sofrimento que causam aos animais obrigados a participar, equiparáveis a crimes perpetrados sobre seres humanos;

4. O conhecimento científico e a disponibilidade de informações sobre a violência contra animais que é exercida nas touradas, a par da tendência das sociedades modernas para se tornarem cada vez éticas e civilizadas, tem levado a que em todos os poucos países do mundo onde as cruéis touradas ainda são permitidas, estas enfrentem cada vez mais contestação, recomendações, restrições e mesmo proibições, valendo a pena referir alguns exemplos, como os que se seguem, nesta matéria. O Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselhou vários destes países, entre os quais Portugal, a criarem legislação que restrinja a participação de crianças em touradas, quer como participantes quer como espectadoras, referindo estar "preocupado com o bem-estar físico e mental das crianças envolvidas em treinos para touradas", bem como “com o bem-estar mental e emocional das crianças enquanto espectadoras que são expostas à violência” destes espectáculos (https://www.publico.pt/2014/02/05/sociedade/noticia/comite-da-onu-quer-limitar-participacao-de-criancas-portuguesas-em-touradas-1622477). Em Espanha, as corridas de touros foram proibidas na Catalunha (http://activa.sapo.pt/estilo-de-vida/2010-07-29-Catalunha-proibe-corridas-de-touros). Por cá, já vários municípios e tribunais as condenaram, enquanto a sociedade civil vai demonstrando claramente que quer que acabem, quando, por exemplo, entre mais de mil ideias para o futuro do País apresentadas nas duas edições de “O Meu Movimento”, do XIX Governo de Portugal (2011-2015), surgem como ideias mais votadas pelos Portugueses e Portuguesas: a “Abolição das Corridas de Touros” e o “Fim dos Dinheiros Públicos para as Touradas” (http://www.jn.pt/sociedade/interior/movimento-pela-abolicao-das-touradas-admite-referendo-2506060.htmlhttp://www.cmjornal.pt/sociedade/amp/touradas-recebem-16-milhoes-de-euros).

Existem muitas formas dignas de os BVB angariarem fundos. Organizar espectáculos tauromáquicos não é certamente uma delas. De resto, ao serem promotores e beneficiários de uma lenta e cruel ceifa de vidas, os BVB violam inclusivamente o disposto no artigo 3.º dos seus estatutos no qual ficou determinado que essa associação “irá socorrer feridos e doentes e irá proteger por qualquer outra forma vidas e bens” http://www.bvbenedita.pt/Estatutos_BV_Benedita.pdf). E ainda que se subentendesse que os estatutos se referem exclusivamente a vidas humanas, proteger vidas humanas passa por não ser responsável por eventos que provoquem emoções negativas e mal-estar em indivíduos humanos (o que pode ter reflexos negativos na saúde de alguns destes indivíduos e, no limite, causar mortes), sendo que organizar touradas implica ser responsável pela tortura de animais não-humanos, acontecimento que causa a muitas pessoas, como nós, preocupação, muita tristeza, desespero, repulsa, raiva, um enorme sentimento de impotência e um terrível mal-estar. Proteger vidas, ainda que eventualmente apenas humanas, deveria também passar por prevenir situações das quais seja previsível que resultem feridos (humanos) para socorrer, importando lembrar que é muito frequente ocorrerem acidentes nas touradas que causam lesões, e algumas vezes até a morte, a quem nelas actua. Os BVB ainda estão a tempo de, numa atitude de grande coragem, decência e bondade, e numa demonstração de mais respeito quer por animais não-humanos quer por animais humanos, cancelarem a “corrida de toiros” a seu favor e se dissociarem por completo da indústria tauromáquica. Fica o nosso pedido de que assim seja a essa nobre Instituição, na pessoa dos senhores Presidente e Vice-Presidente da Direcção. 

A Junta de Freguesia da Benedita (JFB) deve apoiar iniciativas de instituições como os BVB, é certo. Porém, deve declinar o seu apoio a actividades, organizadas por quem quer que seja, que indignem uma parte considerável da respectiva população e/ou prejudiquem a imagem da freguesia, como sejam as touradas, que têm estes dois efeitos negativos referidos (prejudicando também a imagem de todo o concelho de Alcobaça). Fica a nossa sugestão de que a JFB proponha aos BVB que optem por eventos não violentos, como sejam concertos musicais, e apoie estes últimos. 

No âmbito da responsabilidade social das empresas, faz todo o sentido que estas apoiem associações como as de Bombeiros Voluntários. No entanto, jamais o devem fazer por intermédio de patrocínios a práticas como as touradas, que: violam direitos humanos e os direitos das crianças em particular, conforme adverte o Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas; contribuem para uma sociedade menos justa, na qual se torturam seres sencientes em nome do entretenimento; e causam uma enorme tristeza e revolta num número muito significativo de pessoas, stakeholders (partes interessadas) de tais empresas. Endereçamos aos habituais patrocinadores das touradas organizadas pelos BVB o nosso apelo para que não apoiem espectáculos tauromáquicos, sendo que, se o continuarem a fazer, no que depender de nós, perderão quota de mercado.

Perante todo o exposto, e tendo em conta que a realização de corridas de touros em praças ambulantes carece de autorização e licenciamento por parte do Município onde se pretende a instalação destas, pedimos à Câmara Municipal de Alcobaça, na pessoa de V. Exa., Sr. Presidente Paulo Inácio, que recuse conceder qualquer licença ou autorização para a realização desta ou de qualquer outra tourada, contribuindo assim para o avanço em direcção a uma sociedade menos violenta, mais justa e mais civilizada. 

Agradecendo antecipadamente a atenção dispensada e ficando na expectativa de respostas convergentes para o fim da realização de touradas na Benedita, 

Com os melhores cumprimentos,
Marinhenses Anti-touradas
(Marinha Grande - Portugal)