Está a ser feita uma tentativa de inscrição da "Corrida de Toiros de Portugal" no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (de Portugal). Não podemos permiti-lo.
Por favor, participe na consulta pública, enviando uma mensagem da sua autoria, ou a mensagem abaixo, para os endereços indicados.
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Para:
inpci@patrimoniocultural.gov.pt
Cc:
marinhenses.antitouradas@gmail.com
(Nota: Se preferir, encaminhe a mensagem para nós apenas após o envio para o destinatário principal, e após eliminar os seus dados pessoais do final da mensagem)
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Assunto:
OPOSIÇÃO à Inscrição da “Corrida de Toiros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial – Contribuição para Consulta Pública (Anúncio n.º 278/2026)
Ex.mos Senhores e Ex.mas Senhoras,
Na sequência da abertura do processo de consulta pública respeitante à intenção de inscrever a “Corrida de Toiros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, venho manifestar a minha profunda discordância e oposição a esta pretensão, apelando para que o Património Cultural, I. P. decida pelo indeferimento e não inscrição da manifestação.
Considero que a institucionalização e o reconhecimento oficial desta prática pelo Estado colidiriam de modo insanável com valores éticos basilares da nossa sociedade contemporânea. Aponto, em concreto, as seguintes razões:
1. A violência física deliberada sobre animais sencientes não pode ser inventariada como valor cultural a perpetuar
A candidatura não escamoteia a realidade crua dos factos: As “corridas de toiros” assentam na perfuração de tecidos vivos com “ferros compridos”, “ferros curtos” e “bandarilhas de palmo” que são “cravados” no dorso dos touros. Não se trata de uma simulação nem de um incidente acidental; mas de um método atractivo do espectáculo que provoca dor física, hemorragias e sofrimento a um animal senciente, atentando frontalmente contra padrões científicos e éticos de bem-estar animal reconhecidos internacionalmente.
A cultura de uma sociedade é viva e reflecte a sua evolução moral. Diversos edifícios, objectos, saberes, valores naturais e outros elementos associados à “corrida de toiros” podem ser preservados de forma autónoma, sem que a sua subsistência precise de ficar refém do sofrimento infligido aos animais. Já quanto a atribuir uma classificação pública de “património nacional” à “corrida de toiros”, quando a generalidade dos cidadãos compreende que o bem-estar animal deve ser preservado e que nenhuma tradição justifica violência desnecessária, isso seria um retrocesso civilizacional inaceitável e prejudicaria a nossa imagem internacional.
2. A prioridade absoluta à protecção das crianças e à não banalização da violência
O proponente identifica as restrições à entrada de menores nas corridas de toiros como um perigo ou "ameaça", sendo que propõe medidas destinadas a aproximar e envolver crianças na tauromaquia. As crianças não devem, porém, ser instrumentalizadas para garantir a sobrevivência comercial ou artificial da prática em causa. O contacto precoce com actos explícitos de violência exercidos sobre seres sencientes, bem como a normalização da violência na arena, contrariam o dever ético de toda a comunidade de educar para a empatia, a não-violência e o respeito pela vida.
O papel das entidades públicas deve ser o de proteger a infância e o seu são desenvolvimento, nunca o de caucionar estratégias de doutrinação ou recrutamento de menores para actividades nas quais é exercida violência. Validar uma candidatura que pretende atrair crianças para as “corridas de toiros” (touradas) seria inclusive incompatível com as recomendações do Comité dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) de que Portugal afaste as crianças e os jovens menores de 18 anos da tauromaquia e sensibilize os funcionários do Estado, a imprensa e a população em geral sobre os efeitos negativos nas crianças, inclusive como espectadoras, da violência associada às touradas
3. Uma prática que fractura a comunidade e a quebra manifesta do respeito mútuo
O património cultural deve ter uma vocação de união, pertença e diálogo cívico construtivo. Ora, a tauromaquia é hoje um dos temas que mais divide a sociedade portuguesa, gerando compreensível repúdio do lado de quem não concorda com o sofrimento animal como entretenimento.
Pior ainda: em vez de demonstrar humildade e abertura ao diálogo, o proponente da candidatura em causa desqualifica de forma agressiva quem expressa preocupações éticas, catalogando a oposição e os defensores da causa animal como "radicais" e acusando-os de "manipulação da opinião pública". Uma candidatura que recorre à hostilização aberta de uma vasta parte dos seus concidadãos demonstra, por si só, que não compreende o princípio elementar do respeito mútuo nem reúne as condições para representar o património de um país democrático e plural.
Perante tudo o que acabo de expor, reitero o meu pedido ao Património Cultural, I. P. de que não valide a “corrida de toiros” através da inventariação da mesma.
Com os melhores cumprimentos,
[Nome]
Facultativo mas muito importante, outros dados que considere relevantes, como por exemplo:
[NIF ou Número do Cartão de Cidadão]
[Morada ou localidade]
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