sábado, 23 de junho de 2012

Homossexualidade é Violência, Tourada é Cultura

 In JORNAL DE LEIRIA, 21 de Junho

A Tenta



1. O QUE É A TENTA

A “tenta” é um teste daquilo a que alguns chamam de bravura do (chamado) gado bravo de lide. Faz-se a praticamente todas as fêmeas, e a alguns machos, quando estas/estes têm cerca de 2 anos de idade.

1.1. A tenta das fêmeas

Um homem, o tentador (geralmente um picador profissional), montado em cima de um cavalo cujos olhos estão vendados, e armado com uma vara de 2,5m com um aguilhão na ponta, provoca cada vaquinha, de modo a que esta invista contra o cavalo para assim a castigar, espetando-lhe o aguilhão entre as espáduas e repetindo este processo, várias vezes, quando é conseguida a repetição/recarga. Muitas das jovens vacas são ainda lidadas de muleta. Tudo isto é feito nos tentadeiros das ganadarias que são redondéis ou pequenas praças de touros. Participam, para além do picador (que tem o papel principal), amadores e toureiros (ou ex toureiros) profissionais, o ganadeiro e o pessoal superior da ganadaria. Assistem, muitas vezes, convidados.



1.2. A tenta dos machos

1.2.1. No tentadeiro
Para as tentas feitas em tentadeiro, o procedimento é basicamente o mesmo tanto para fêmeas como para machos. As diferenças que existem visam que estes, que são dotados de uma excelente memória, se um dia chegarem a ser torturados também numa corrida de touros, não se recordem da tenta, já que isso pode ser uma desvantagem para quem os vier a lidar em praça. Assim sendo, enquanto nas tentas das fêmeas, na primeira fase, os toureiros de turno utilizam o capote para afastar as vaquinhas do cavalo, para que elas, preferencialmente, voltem a investir contra o cavalo e sejam novamente picadas com a vara; nas tentas dos machos são utilizados, para o efeito de os afastar provisoriamente do cavalo, ramos de eucalipto ou choupo. Para que os machos não vejam o capote, também se dispensa, usualmente, a lide de muleta.

1.2.2. Em campo aberto
Uma vez que o tentadeiro pode dar a conhecer um ambiente semelhante ao de uma praça de touros - com todas as desvantagens que daí poderão advir decorrentes da capacidade de aprendizagem e excelente memória dos bovinos -, os machos são quase sempre tentados em campo aberto. Dois cavaleiros separam de um grupo o indivíduo que querem tentar, servindo-se para Isso de longas varas com que, de seguida, o perseguem até o conduzirem ao local onde se encontra o tentador. Quando o animal perseguido percebe que lhe taparam o caminho, num instinto de defesa tenta atacar o tentador, que aproveita para o castigar, da mesma forma como se castiga em tentadeiro: picando-o, repetidamente, com o aguilhão da vara dos 2,5m. Há animais que são espetados, pela vara de castigo, 12 (DOZE) ou mais vezes.

2. A VIOLÊNCIA DAS TENTAS

2.1. A tenta como ato violento para os bovinos

Ao serem picados, com o ferro afiado e comprido que lhes rasga e perfura a pele, carne e músculos, estes animais, que estão a ser testados, sentem dores fortíssimas. Tentando libertar-se da vara, empurraram, muitas das vezes, o cavalo montado pelo picador, o que faz com que a vara lhes perfure ainda mais o corpo e os deixe severamente feridos e enfraquecidos. Para alguns, a tenta não termina após o tércio das varas ou da muleta, e são ainda violentados pelo cravar de bandarilhas, algumas dessas vezes por alunos de escolas de toureiro.

2.2. A tenta como ato violento para os cavalos

Os cavalos, que estão mal protegidos, apenas pelo “peito” - uma espécie de capa de borracha e algodão - sofrem as investidas dos bovinos e ficam muitas vezes com lesões, em especial lesões internas nem sempre visíveis, que a tal estrutura, supostamente protetora, não consegue prevenir. Além disso, são derrubados com alguma frequência, devido às referidas investidas, ocorridas num momento em que eles estão de olhos vendados e com os movimentos dificultados pela estrutura que os deveria proteger, mas que, não só não os protege convenientemente, como é desconfortável e pesada.


3. O DESTINO DAS VÍTIMAS TESTADAS

3.1. O destino das fêmeas

À generalidade das fêmeas que são atraídas pelos cites do picador, e que investem várias vezes contra o cavalo e obtêm boa nota na tenta, é-lhes atribuída a função de procriar até aos 13/14 anos de idade, normalmente, dois anos sim, um ano não. Quanto às que não são atraída pelos cites do picador, fogem do cavalo ou da vara ou, por outros motivos, obtêm má nota final, vão para o matadouro. Arriscamos dizer que é o que acontece a cerca de 50% das vacas testadas. (De referir que algumas vaquinhas nem chegam a ser testadas em tentas, pois são torturadas ainda antes disso, por exemplo em treinos de toureiros e de alunos de escolas de toureio, e perdem a vida antes de completarem os 2 anos de idade.)

3.2. O destino dos machos

Os machos que se mostram voluntários e, de acordo com os critérios de quem os avalia, nobres: ficam destinados à lide. Poucos meses, ou poucos anos, depois, serão torturados para gáudio de pessoas que pagam para ver. Entre os que se mostram voluntários e nobres, os que fazem pelo menos doze fortes entradas no cavalo são muitas vezes, de seguida, lidados por um novilheiro ou por um matador, com os três tércios (capote, bandarilhas e muleta), sendo que se obtiverem boa nota quer na primeira fase com o picador, quer na faena, serão destinados a cobrir vacas; dependendo a continuação desta função das características dos filhos que forem tendo. Os machos que são fugidios e demonstram medo vão para a charrua ou para o matadouro. (De referir que muitos machos, por não reunirem uma série de características, são abatidos muito antes dos dois anos de idade e não chegam a ser testados.)

Gado "Bravo" de Lide?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A Ferra

A ferra faz parte do processo de identificação dos animais. A tradição em Portugal ordena que equinos e bovinos sejam ferrados a fogo.




No chamado “Gado Bravo de Lide”, funciona assim:

1. Imobilização – Por uma das formas seguintes:

1.1. Alguns rapazes agarram o bezerro ou garraio pelas orelhas ou pelas ilhargas e derrubam-no. Caído no chão, são-lhe amarradas as patas;

1.2. O animal é imobilizado numa jaula, vulgarmente designada por caixão da ferra, sendo a sua cabeça presa numa abertura de uma portinhola. Fica com o lado esquerdo do corpo encostado a uma placa, preso por duas cordas ou por correntes amarradas no tronco, sendo ainda agarrado pelo rabo.

2. Marcação com Ferros em Brasa

São feitas as seguintes marcações, todas elas do lado direito:

2.1. Nádega - Ferro da ganadaria, como símbolo da casa onde nasceu o bovino, que tem as iniciais do ganadeiro ou o brasão de família;
2.2. Dorso - Número de registo;
2.3. Espádua - Último algarismo do ano em que nasceu;
2.4. Pescoço – Letra da associação de criadores de touros em que a ganadaria a que pertence o bovino está inscrita; no caso de Portugal, a letra “P” - ferro da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide.

3. Cortes nas Orelhas - Um extra muito frequente

Aproveitando a imobilização do animal, não é raro que se façam vários cortes nas orelhas com uma faca afiada. São feitos desde furos a rasgos, que chegam a dividir orelhas em duas partes. O intuito (dizem) é as marcas serem uma espécie de assinatura, que difere de ganadaria para ganadaria.

4. Dores e infecções

A marcação com os ferros em brasa provoca dores insuportáveis, por não ser utilizado qualquer tipo de anestesia ou analgésico. A extensão e profundidade das queimaduras provoca feridas que acabam muitas vezes por infectar, pois também não é administrada medicação que vise prevenir futuras infecções.

5. Momento da vida

Os animais são marcados por este processo quando ainda são muito jovens, tendo alguns menos de um ano de idade. Em Portugal, a época Outubro-Março á a mais escolhida.

6. Separação forçada

A ocasião é aproveitada para separar os machos das fêmeas (igualmente marcadas com os ferros em brasa), sendo que, muitos deles, não mais voltarão a pastar juntos.

7. Dia de Ferra; dia de Festa!

Assistem quase sempre muitos convidados e o ambiente é festivo. Exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=WPMjAITr4XI).

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Festival Alternativa Solidária




Evento de Beneficência para os Bombeiros Voluntários de Pedrouços.

Alternativa à Tourada que se ia realizar dia 10 de Junho.

Casa do Alto (Pedrouços, Maia). Dia 10 de Junho 2012. 16h00 - 00h00

Cartaz:

- TRABALHADORES DO COMÉRCIO
- Olive Tree Dance
- The Dixie Boys
- Bate&Bala
- Miraldo
- Re-Timbrar
- Rapariga Eléctrica
- Swinging Rabbits
- Bitch boys
- DJ Hugo Felgueiras aka Dabelo


Inscrição de Voluntários

Inscrição para o Mercadinho

Solicitação de Credenciais Imprensa

Este evento, visa enterrar definitivamente a possibilidade de uma tourada em Pedrouços e, em última análise, no país todo, ao mesmo tempo que se apresenta como uma proposta alternativa de recolha de fundos para os Bombeiros Voluntários de Pedrouços. Após uma grande vitória com a anulação do evento tauromáquico agendado, pretendemos combater esse mal pela raiz. Pretende-se demonstrar que há outras vias para obtenção de fundos monetários, respeitando a existência e os direitos de todos os animais de modo a que esta vitória passe de temporária a definitiva. Com isso estamos a criar a definir um modelo de sucesso no combate a eventos que não nutram o respeito devido por todos os seres vivos. Desta vontade colectiva nasce o "Festival Alternativa Solidária" agendado para dia 10 de Junho, o mesmo dia em que se realizaria a tal corrida de touros. Para isso contamos com a colaboração e boa vontade da Câmara Municipal da Maia, dos Bombeiros Voluntários de Pedrouços, com várias associações de defesa dos animais, nomeadamente a ANIMAL, com bandas, artistas e as boas gentes do "mercadinho" dispostos a participar no evento e por fim, com o apoio e dedicação de todos os membros deste grupo de trabalho que têm tornado isto possível.

Link para o evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/398405320200491/

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Feliz Dia Mundial da Criança

Em Portugal, comemora-se a 1 de Junho o Dia Mundial da Criança. 

Este ano, alguém teve a desfaçatez de tentar organizar, para hoje, um festejo tauromáquico em Arronches que tinha como objectivo comemorar este Dia, bem como fomentar e divulgar o gosto pela tauromaquia junto de crianças. Em boa hora foi cancelado! ;) 

Segundo pesquisas, a violência cometida contra animais, quando feita ou mesmo assistida por crianças, tem consequências psicológicas trágicas, marcando-as para toda a vida. Por outro lado, o afeto que os animais inspiram, quando incentivado, pode despertar sentimentos de amor, zelo e positiva auto-estima.